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E-Sports são esportes sim!

Hoje vamos falar de E-Sports. Relaxa, o hífen tá certo. Não escrevi “esportes” errado. Sabe aquelas competições que lotam ginásios de fãs que querem ver seus atletas favoritos fazerem jogadas espetaculares? E não, não estou falando de basquete, futebol, vôlei, ou qualquer outro “esporte tradicional”.

E-Sports são modalidades esportivas que, assim como outros esportes tradicionais, possuem milhões de fãs. São atividades cujos atletas sofrem risco de lesão quando jogam. Os quais dependem de trabalho em equipe, bons técnicos e um bom conhecimento do jogo para poder vencer o time adversário. Parece familiar? Pois deveria. Tudo que foi dito no parágrafo anterior pode se aplicar ao seu esporte favorito, seja qual for.

Durante este último final de semana tivemos no SporTV2 as finais do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLOL) e do ESL One Cologne, major de Counter Strike: Global Offensive (CSGO) jogado na Alemanha, onde a equipe brasileira SK Gaming se saiu vitoriosa. LoL é o jogo/E-Sport mais popular do planeta, então teve bastante audiência. E o major de CSGO foi transmitido pela chance de ver o time brasileiro (atual melhor time do mundo) fazer bonito contra times do mundo todo e levar mais um caneco pra casa. E quando tem chance do Brasil ganhar competição internacional, até campeonato de hot-dogs a SporTV é capaz de passar.

A melhor notícia nisso tudo é que a SporTV teve bons números nas transmissões dos dois campeonatos e isso indica que no futuro poderemos ter uma maior exposição desses esportes e mais tweets como esse, de um jornalista da Globo:

Ou esse, de um mero fã que finalmente pôde ver seu time favorito jogando na TV de casa:

Questão de opinião

Você por acaso pensa que videogames são perda de tempo? Se pensa assim, já parou pra raciocinar o por quê de ter esse conceito? Eu lembro de conversar com um amigo que não acha que pessoas que participam de competições de jogos eletrônicos deveriam ser colocadas no mesmo patamar que atletas de esportes tradicionais. Um dos argumentos dele é que jogadores de E-Sports, ao contrário de atletas de futebol ou basquete, não precisam estar no auge do seu físico.

Mas pera lá, eu acho isso um pouco errado. Se colocarem lado a lado, um atleta de cada esporte tradicional, seja vôlei, golfe, basquete, canoagem, esgrima, ginástica artística, natação, triatlo, e entre outros, tu acredita que todos eles vão ter o mesmo porte físico? Ignorando óbvias disparidades de altura – como entre basquete e ginástica artística – os grupos de músculos que diferentes atletas vão se concentrar mais serão, de fato, diferentes. A diferença entre um jogador de basquete e uma ginasta vai muito além da altura.

Então, de fato, um jogador de E-Sports pode estar SIM no auge de sua forma física, pois o grupo de músculos que são necessários para praticar o esporte que ele joga são diferentes. E essa é uma das belezas dos E-Sports. Existem todos os tipos de personagens para se relacionar. Tomando de exemplo o cenário de CSGO, você pode encontrar jogadores que são o seu típico nerd gordinho, como Hiko da Liquid, ou jogadores que saem de casa, comem pra caralho, e deixam o monstro sair da jaula como PashaBiceps da Virtus Pro. Ou até mesmo aquele cara que parece ser o mais novo colírio da capricho, como o ScreaM da G2. Não existe UM tipo de jogador de E-Sports. E é por isso que fica mais fácil para que o público se identifique com eles.

Hiko (Team Liquid), PashaBiceps (Virtus Pro) e Scream (G2 ESports)
Hiko (Team Liquid), PashaBiceps (Virtus Pro) e Scream (G2 ESports)

E-sports são o caminho pra tirar o gaming das “trevas”

Mas Faé, por que essa insistência em defender tanto os E-Sports, se já tem tanta gente assistindo, e tanto dinheiro rolando com isso? Pra mim, a resposta é simples: porque já passou da hora das pessoas entenderem que videogame não é brincadeira. Pra alguns, é claro. Como jogador de basquete, já passei por essa situação várias vezes. Se me perguntassem o que eu fiz durante a semana e eu responder que joguei basquete todos os dias, a maioria das pessoas me parabenizaria pela minha determinação e por estar me exercitando regularmente. Porém, se eu falar que joguei videogame todos os dias, vão me xingar de preguiçoso e mandar procurar fazer algo útil da vida.

E isso é, sim, um dos perigos do videogame. De fato, eles podem fazer a pessoa passar mais tempo dentro de casa, o que acaba por influenciar o sedentarismo e a redução da atividade física. E todo mundo sabe o quão importante é se exercitar regularmente. Mas E-Sports não são responsáveis por isso. Quem é responsável por você se manter ativo e saudável é você mesmo! Não culpe um jogo ou uma transmissão porque você engordou uns quilinhos.

E-sports não merecem espaço na TV

Pra quem diz que E-Sports não merecem espaço na TV, eu quero te lembrar de certas coisas que têm seu devido espaço na TV: futebol; reality shows; mais futebol; indústria pornográfica; venda de animais; venda de joias; venda de produtos com infomerciais; ainda mais futebol. Acho que a gente consegue achar lugar pra transmitir umas partidas de E-Sports no meio disso, né?

Tá, Faé, mas pelo menos criem um canal só pra isso! Canais como ESPN e SporTV têm que se concentrar em esportes de verdade! Ok, pra você que diz isso, também, quero te lembrar de certas coisas que a ESPN e a SporTV já transmitiram: todo 4 de julho a ESPN americana transmite uma competição de quem come mais hot-dogs em um certo período de tempo. Já transmitiram também campeonatos de empilhar copos, assim como de soletrar. A SporTV é um pouco mais conservadora, mas ainda já transmitiu eventos como WWE, que é considerado por muitos um esporte de mentira (não por esse que vos escreve – acho do caralho!)

Em suma: E-Sports merecem seu lugar na televisão SIM e em canais de esporte SIM. São eventos e jogos que são tão emocionantes para seus fãs quanto eventos olímpicos.

Isso é esporte. Videogame não.

“Mas, sei lá, pra mim um atleta tem que suar quando está jogando.”

Justo. Quando a gente vê um atleta suando a camisa pelo seu time, conseguimos sentir na pele o que ele(a) está fazendo, nos identificando mais com o que está acontecendo. Não se engane, porém. Muitos dos atletas no ramo de E-Sports acabam partidas encharcados em suor, mas é mais difícil pro espectador inexperiente entender isso.

Quem já tentou jogar futebol pelo menos uma vez suou um pouco ao correr atrás da bola. Mesma coisa com vôlei. Mas poucas pessoas reconhecem que o videogame é uma atividade que exige bastante da pessoa. Como não há muito movimento do corpo, não existe a transpiração que ocorre em um esporte tradicional, é claro, mas não deixa de ter jogadores que estão ali suando a camisa pelos seus times, seus fãs e países.

E você? Acha que E-Sports não têm a ver com esportes de verdade? Acha que merecem mais exposição? Quero muito ouvir sua opinião nos comentários e falar sobre isso!

About Luis Faé

Estudante de ciência da computação, comediante amador e entusiasta de trocadilhos. Muito embora passe mais tempo fazendo piadas, ainda aprecia falar dos aspectos sérios quando o assunto é videogame.

9 comments

  1. Tenho uma dúvida em relação a necessidade e o quão benéfico é irmos para a televisão, o modelo de e-sports está muito ligado a internet, acho um meio mais natural para as competições, ir para a TV soa de certa forma anacrônico, entendo o aparente apelo que isso gera apelo com o “público civil”, mas mesmo esse apelo é pequeno (me parece).

    Ao invés de irmos para um modelo fechado, como as transmissões na ESPN, acho mais válido estarmos em vários canais/sites ao menos tempo, cada um com seu público e modo de acompanhar as partidas.

    Não que ache que os e-sports não mereçam estar na TV, o que acho é que o modelo de TV é atrasado em relação ao modo de acompanharmos as competições pela internet.

    • Só complementando: apesar de aparentemente as competições suportarem os dois modos: TV e Internet, tenho receio de que o sucesso na TV engesse o que é possível fazer nas transmissões pela Internet, ou mesmo que inviabilize de todo as transmissões que temos hoje.

    • Eu acho que indo para a TV ajuda em algumas coisas:
      – Você não depende de uma banda larga boa, nem da estabilidade do seu serviço de internet, para assistir com uma qualidade boa.
      – Ainda nem todas as TVs são smart com wifi. Por exemplo, eu pude assistir a final do CBLoL na sala, minha TV é smart, mas via cabo.

      Não entendi o que você quis dizer com “o que é possível fazer nas transmissões pela Internet”, eu não creio que quem já transmitia pela internet vá deixar de transmitir e ir para a TV

      • São pontos válidos, comodidade no sofá é inigualável mesmo.

        O que quis dizer com “o que é possível fazer nas transmissões pela Internet” são por exemplo os sites que transmitem e comentam as competições ao mesmo tempo, não acho que eles vão migrar para a TV, meu receio é que o sucesso da TV leve a parcerias que proíbam esse tipo de transmissão.

        • Eu acho que com certeza os sites que estão transmitindo não vão migrar pra TV. No máximo os casters mais famosos vão sucumbir as ofertas das estações de TV, que são bem mais ricas que os sites.

          Mas ainda assim, a moral de ir pra TV é de mostrar pro público geral como E-Sports não é brincadeira. Como é um esporte de verdade. Pra acabar com o preconceito.

          Veja a NFL, por exemplo. Cinco anos atrás, era quase impossível tu achar alguém que gostasse de assistir futebol americano. Mas a ESPN investiu em conteúdo, e material, e falando sobre a liga, e hoje as transmissões de NFL na ESPN brasileira são extremamente bem sucedidas.

          Quem sabe com um investimento similar de canais de TV para E-Sports, possamos ter mais pessoas mundanas se interessando por assistir competições de League of Legends ou Counter Strike.

  2. Para as pessoas que dizem que pra ser esporte tem que suar eu respondo: Já viu alguém suando no arco e flecha? Ou no tiro ao alvo? E.. Você sabia que xadrez é esporte?
    Sabia que poker é esporte e passa na ESPN? E o que me diz do curling?

    Nós temos que exercitar o corpo e a mente, e-sports estão na categoria de esportes da mente (ou algo assim).
    Falarei mais de MOBA que é minha praia:
    “Mas o que tem que pensar no LoL, é só escolher seu personagem preferido e brincar?”
    Engano seu, nos MOBAs a estratégia começa justamente na hora de escolher os personagens, na sua vez você tem que escolher um personagem que você jogue bem, que seja forte contra os personagens inimigos e que encaixe na composição do seu time. Isso num pool de mais de 100 personagens.

    Não é só um ‘joguinho’, você pode se divertir com ele, assim como eu me divirto jogando basquete, mas respeite quem leva isso a sério.

    • Minha definição, não científica de esportes é: tudo àquilo que jogo mal rsrsrs, mas acho a sua mais correta e abrangente

      • Discutindo esse tópico com um amigo meu, acho que uma das coisas que mais está mal definida é a definição de “praticar esportes”. Muitas pessoas tomam ela como sinônimo de “exercício”, quando na verdade não é bem assim.

        Atletas de tiro ao alvo e arco e flecha ainda precisam correr ou fazer alguma espécie de exercício de cardio pra ter porte físico. Assim como jogadores de pôker tem que se exercitar fora das mesas.

        Nem sempre seu esporte é um exercício. E jogar uma partida de LoL ou DoTA pode ser praticar um esporte – nem que seja num cenário não-competitivo -, mas nunca vai ser substituto pra um exercício.

        • Acho que as pessoas não compreendem é que o cérebro precisa de exercício também. Esporte, exercício está sempre ligado a “físico”, por isso essa estranheza.

          E a comparação com tiro e arco e flecha é pra resposta do suor. Sim tem que ter um preparo, mas não se sua fazendo esses esportes =P

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